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Deixa de fazer falta
Chega a um ponto em que deixa de fazer falta. Exageramos na dose. Na ausência. Exageramos na dose de ausência. Chega a um ponto em que eu percebo que nunca sofreste dessa dor. A dor de me ver chorar. Essa, nunca te coube no peito. Nunca te foi preciso. Porque eu escolhi exagerar na dose de ausência. E tu nunca tiveste que saber o que é secar uma lágrima minha. E chega a um ponto, em que deixa de fazer falta. O teu cheiro, deixa de fazer falta. O teu sabor, deixa de fazer falta. Não importa se dói. Chega a um ponto… em que já não importa se dói…
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Amanhã já és feliz …
Por momentos sentes que se está a extinguir. O que dele ainda resta, está a despir-se de ti. Sentes que basta mais um dia para que se esgote por completo. E amanhã, já és feliz. Mas depois, como que uma correntezinha de ar, que te sobe a espinha e arrepia o pescoço, chega um pico de saudade. Um pequeno reviver. Aquela parte de ti que não controlas. Dá de si e apresenta-te recordações, sentimentos e vontades. E tu hesitas. Porque amanhã vai passar. Basta mais um dia para que se esgote por completo. E amanhã, já és feliz! Mas a verdade é que o tempo não cura o amor. Atenua…
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Vestia-se de eterno e gerou-se efêmero
Há quem diga que é o amor que mantém as pessoas unidas. A nós, foi o que mais nos separou. Nunca conseguimos uma harmonia. A nossa. A nossa harmonia. Afinal, todos os amores têm uma. O nosso não. Sempre foi demais. Demasiadas distrações. Demasiados compromissos. Demasiados outros afazeres, que não este. De amar. Amar e ser amado. Isso, nunca foi uma prioridade. O nosso amor sempre foi assim. Desafinado. Não podíamos estar muito tempo juntos, nem separados. Não podíamos apropriar-nos, nem viver sem ele. O nosso amor, meu bem, sempre foi assim. Desafinado. Tirava-nos o fôlego. Levava-nos o controlo. Vestia-se de eterno e gerou-se efêmero. Despiu-nos. Deixou-nos a pele. E…
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Falámos de nada
Falámos. Falámos de sentimentos, emoções e desejos. Falámos de amor, de nós. Falámos de felicidade, de saudade. No fundo, de nada. Falámos de nada. Nunca falámos em nada. Nem no que queríamos. Falaste por segundos, sob o céu e as estrelas, em fazer-me feliz. Dizias tu. Querias fazer-me feliz. Mas nunca deduziste que não se é feliz em silêncio. Não é por as saudades falarem mais alto que se é feliz em silêncio. E essas noites… de “segundos” não passavam de um ir e vir com a sensação de que nos estávamos a usar. Confessa, com o mesmo fim. Não nos soubemos manter. Não nos soubemos manter no amor. Porque…
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Não sei o que isso é
Gostava de conseguir dizer que hoje é o último dia que te escrevo. Quero continuar a escrever sobre amor, mas não sobre ti. Na verdade não sei o que isso é. Escrever sobre amor, mas não sobre ti. Amor és tu. És tu quem me ocupa o peito. És tu quem me faz sorrir. És tu a quem eu devo o significado de amor. E o mundo não sabe o que é isto. No fundo, sabe. Cada um à sua maneira. Mas não sabe o que é ter-te a ti no peito. Ter-te a ti nos pensamentos. Nas palavras. Nos suspiros. Isso, o mundo não sabe. Os dias alongam-se. As…