Se formos mesmo um do outro…
Eu tenho medo. E digo-te que tenho medo porque quero que o segures… e leves. Eu tenho medo porque te olho e vejo o mundo inteiro.
Não tinhas medo se uma das possibilidades de ver o mundo o inteiro nos olhos de alguém fosse poder perdê-lo? Escapar-se entre os dedos ?
Eu tenho medo.
De ser demasia…
…para ti.
Cuidado em demasia. Insegurança em demasia. Conversa em demasia. Emoções em demasia.
Eu tenho medo. De me estar a entregar e amanhã já cá não estares.
Tenho medo que te desinteresses. E que com isso te vás gradualmente afastando. E seja tarde para remediar.
Soubesses tu as vezes que acordei e, sem motivo, tinha perdido quem me segurava o coração. A dor que foi não poder … voltar a dormir e … não acordar. Não sentir. Não chorar.
Eu tenho medo. Por mim. Mas também, por ti.
De não saber o que precisas de mim, para que o medo que tenho … não te leve.
Ou de não conseguir segurar o teu medo e descansar-te a respiração.
Eu tenho medo e digo-te que tenho medo porque quero que nos seguremos aos dois. Que demos as mãos. Que nos deixemos ir, mesmo sabendo do medo todo que carregamos no peito. Mas que não nos impeça de viver isto.
Para podermos acordar ao lado um do outro sem memória de algum dia termos tido medo de nos entregar.
Permitir-me pensar num amanhã contigo, devolve-me o medo. Tenho medo de imaginar….
….e nunca se vir a concretizar.
Tenho tanto medo que avanço muito pouco. E tu sentes. Sentes o meu medo a cada passo. Perguntas-me como me podes descansar.
Eu só preciso de saber que estás a vir comigo.
E que silencies o medo que grita em pensamento sempre que te despedes de mim, mesmo que seja só um “até amanhã”.
Nunca é certo para mim, que o é. Que é mesmo “até amanhã”.
O medo não me permite ainda acreditar que me chegaste. E que queres ficar comigo.
Tenho medo de te perder.
Mas muito mais de me perder a mim, a seguir.
… Deixa Ser …
