Para a Mimi e para o Francisco
Mariana. Mimi.
Conhecia como Mimi e Mimi para sempre será.
Estamos na vida uma da outra há cerca de dez anos. Conhecemo-nos na faculdade. Eu com o pé já de fora. Ela acabada de chegar.
Olhou para mim no primeiro dia e escolheu-me para a apadrinhar. Fiquei sem reação.
Não sei se vos cabe na consciência o que é isto de apadrinhar alguém.
Quando somos padrinhos ou madrinhas de alguém, cabe-nos acolher, proteger, acompanhar, inspirar, guiar e amar. Amar alguém de tal maneira que não há passo que nós demos que não nos lembremos de que nos estão a ver. E que nos estão a seguir. E a aprender connosco.
Há quem não considere este papel assim tão relevante.
Há quem o considere apenas sob a graça de Deus.
Para mim, isto é muito simples. Com ou sem bênção, alguém nos está a escolher.
Alguém olhou para ti e decidiu naquele momento que és colo, abraço, caminho e amor. E é para sempre.
Nos dias seguintes, pensei muito no que lhe queria entregar. Vesti-me de madrinha, mas assumi esse papel cheia de medo. Sabia lá eu se ainda a ia desencaminhar.
Estávamos a passar por uma fase muito difícil na faculdade. Muito julgamento, muito ego, muita falta de empatia, de cuidado, de trato e naquele rebuliço percebi que me havia chegado o propósito disto tudo. Percebi o que queria para ela. O que precisava de lhe mostrar.
E dez anos depois, tenho a certeza absoluta de que estamos a trilhar o caminho certo. E com sucesso!
Porque ela sabe e sempre soube que o mais importante nesta vida é amar. Sempre lhe disse desde o primeiro dia: amor é a chave disto tudo. Nesta e em qualquer outra vida, esta doce palavra pequenina: amor.
E a Mimi é, toda ela, de corpo e alma, amor. E com amor vêm uma série de outros valores que eu procurei continuar a mostrar-lhe relevância. Porque os devemos ter sempre no bolso. Porque são salva-vidas. Porque nos mantêm no caminho certo.
A verdade, a bondade, o carinho, a resiliência, a escuta, o respeito, a integridade, a justiça, a responsabilidade, o compromisso, a coragem e a empatia.
A Mimi já os tem a todos nas mãos. É a pessoa mais bonita que eu conheço.
És a pessoa mais bonita que eu conheço.
Dez anos depois, a Mimi voltou a escolher-me. Quis que eu apadrinhasse o amor que ela encontrou com o Francisco. E que falasse, hoje, sobre isto.
O que dizer sobre eles?
O Francisco e a Mimi são encontro. São encontro porque são efusividade e acalmia. São pressa e são ponderação. São medo e coragem. São improviso e planeamento.
E na medida em que são díspares, também eles são complemento.
Partilham da mesma linguagem do amor. Como lhe chamamos agora, falam-nos através de atos de serviço.
São cinco as linguagens do amor e eles escolheram a mais altruísta: os atos de serviço.
Na urgência dos que lhes são próximos, olham-se, acenam e são os primeiros a chegar. Se alguém precisa, são os primeiros a chegar. Mesmo que lhes digam com toda a convicção “não é preciso”, “está tudo bem”. São os primeiros a chegar. Ajustam-se, organizam-se, reinventam-se e são os primeiros a chegar.
Sabem o que é isto?
É amor.
Caminham e regam as relações que têm com respeito e com um amor imenso.
Trilham caminho há oito anos. Conheceram-se num jantar. Tinham vista um para outro. Nunca tinham presenciado vista mais bonita.
Escolheram-se. Deram as mãos e estão há oito anos a trocar corações.
Hoje não é o princípio. É a celebração do que começaram há oito anos.
Mimi, Francisco, a vocês, aos vossos futuros filhos.
Espero que nunca se esqueçam de amar e de continuar a fazer tudo por amor.
Um brinde aos noivos!
