• Levaste-me o chão

    Existo numa queda imensa sem fim. Levaste-me o chão. Assim, de uma só vez. Não encontro forças para travar isto. Que me leva do mundo. Que me leva de ti. Não tenho como segurar esta perda, não há meio de me dares a mão. Assim, de uma só vez. Entrei neste estado de apatia onde seguramos as lágrimas e desejamos viver sem que a dor se manifeste. Porque dizem que existe todo um outro mundo, sem nós, onde te olham com sorrisos e te cumprimentam com segredos. Um lugar sem amor. Um lugar sem ti. Vivo por fora porque todo o meu âmago ficou em ti. Assim, de uma só…

  • Dás?

    Fico assim meia baralhada. Nesses nossos encontros de meio minuto há sempre uma colectânea de borboletas que fica em mim. E eu já não sei bem onde guardar cada uma delas. Confundem-se umas nas outras e arrepiam-me os cantos. Levam-me a voz. E eu não tenho como definir isto. Porque em meio minuto, correm sentimentos, vontades, pensamentos e borboletas. E depois, quando é tempo de voltar a mim, já passou. Escapaste. Escapas-me a cada meio minuto. E deixas borboletas. Por vezes, o zoo inteiro. Mas sempre com vontade de que o próximo meio minuto se multiplique infinitamente, para que em mim seja possível perceber isto! E arrumar o coração no…

  • Deixa de fazer falta

    Chega a um ponto em que deixa de fazer falta. Exageramos na dose. Na ausência. Exageramos na dose de ausência. Chega a um ponto em que eu percebo que nunca sofreste dessa dor. A dor de me ver chorar. Essa, nunca te coube no peito. Nunca te foi preciso. Porque eu escolhi exagerar na dose de ausência. E tu nunca tiveste que saber o que é secar uma lágrima minha. E chega a um ponto, em que deixa de fazer falta. O teu cheiro, deixa de fazer falta. O teu sabor, deixa de fazer falta. Não importa se dói. Chega a um ponto… em que já não importa se dói…

  • Amanhã já és feliz …

    Por momentos sentes que se está a extinguir. O que dele ainda resta, está a despir-se de ti. Sentes que basta mais um dia para que se esgote por completo. E amanhã, já és feliz. Mas depois, como que uma correntezinha de ar, que te sobe a espinha e arrepia o pescoço, chega um pico de saudade. Um pequeno reviver. Aquela parte de ti que não controlas. Dá de si e apresenta-te recordações, sentimentos e vontades. E tu hesitas. Porque amanhã vai passar. Basta mais um dia para que se esgote por completo. E amanhã, já és feliz! Mas a verdade é que o tempo não cura o amor. Atenua…

  • Vestia-se de eterno e gerou-se efêmero

    Há quem diga que é o amor que mantém as pessoas unidas. A nós, foi o que mais nos separou. Nunca conseguimos uma harmonia. A nossa. A nossa harmonia. Afinal, todos os amores têm uma. O nosso não. Sempre foi demais. Demasiadas distrações. Demasiados compromissos. Demasiados outros afazeres, que não este. De amar. Amar e ser amado. Isso, nunca foi uma prioridade. O nosso amor sempre foi assim. Desafinado. Não podíamos estar muito tempo juntos, nem separados. Não podíamos apropriar-nos, nem viver sem ele. O nosso amor, meu bem, sempre foi assim. Desafinado. Tirava-nos o fôlego. Levava-nos o controlo. Vestia-se de eterno e gerou-se efêmero. Despiu-nos. Deixou-nos a pele. E…

  • Falámos de nada

    Falámos. Falámos de sentimentos, emoções e desejos. Falámos de amor, de nós. Falámos de felicidade, de saudade. No fundo, de nada. Falámos de nada. Nunca falámos em nada. Nem no que queríamos. Falaste por segundos, sob o céu e as estrelas, em fazer-me feliz. Dizias tu. Querias fazer-me feliz. Mas nunca deduziste que não se é feliz em silêncio. Não é por as saudades falarem mais alto que se é feliz em silêncio. E essas noites… de “segundos” não passavam de um ir e vir com a sensação de que nos estávamos a usar. Confessa, com o mesmo fim. Não nos soubemos manter. Não nos soubemos manter no amor. Porque…

  • Não sei o que isso é

    Gostava de conseguir dizer que hoje é o último dia que te escrevo. Quero continuar a escrever sobre amor, mas não sobre ti. Na verdade não sei o que isso é. Escrever sobre amor, mas não sobre ti. Amor és tu. És tu quem me ocupa o peito. És tu quem me faz sorrir. És tu a quem eu devo o significado de amor. E o mundo não sabe o que é isto. No fundo, sabe. Cada um à sua maneira. Mas não sabe o que é ter-te a ti no peito. Ter-te a ti nos pensamentos. Nas palavras. Nos suspiros. Isso, o mundo não sabe. Os dias alongam-se. As…

  • Nunca

    Vazia. Vazia é como me sinto. Seguiste caminho sozinho e deixaste-me aqui. Vazia. Sempre que vais levas-me tudo, sabes? Os sorrisos. O coração. Até o amor. Levas-me o amor. E de repente, dou por mim vazia. Porque és tu quem melhor me preenche os espaços. Porque é teu este lugar. Aqui, mesmo junto ao peito. Não sei se o sentes. Se acreditas que é aqui que pertences. Em mim. Se acreditas que és tu quem me enche o coração. Mas eu também não estou segura de que o meu lugar é aí. Mesmo junto ao peito. Nunca me deste esse espaço. Nunca o senti meu. E … se, por ventura,…

  • Dói

    Ainda não entendi essa capacidade que tens de separar os mundos. O teu comigo, e o teu sem mim. Não sei como o consegues. Vives em dois mundos. Retiras os sentimentos do peito, e vives de coração vazio. As vezes parece que o que fazes é esquecer. Esqueces por momentos tudo o que nos aconteceu. Esqueces por momentos que eu existo em ti. Esqueces por momentos que nos amamos incondicionalmente. E vives sem mim. Nesse teu mundo sem mim. Tenho a sensação de que o fazes por eu não ser suficiente para quereres viver comigo em todos os mundos que existem. Tenho a sensação de que o fazes porque me…

  • Um do outro

    Gosto-nos assim. Um do outro. Tu, meu. Eu, tua. Gosto-nos assim. Perto. Completamente viciados no sabor um do outro. Impacientes por mais uma noite de amor. Gosto-nos assim. Sedentos deste calor que nos fazemos sentir sempre que nos saboreamos. Sempre que nos respiramos. Ou tocamos. Gosto. Gosto-nos assim. Sem duvidas do que somos um para o outro. Sem medo do que somos um para o ouro. E certos de que é este o nosso lugar. Onde o mundo se funde e restamos nós. Nós e um trilião de sentimentos, quereres, saberes, vontades e beijos. Nós e um trilião de possibilidades juntos. Gosto-nos assim. Um do outro. E o mundo nosso!…