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Porque assim se fez…
Isto está a ser tão difícil… Acomodar-me a este tempo. A este meu novo lugar. Onde eu já não tenho a graça de te ter. Onde já não é tempo de guardar do mundo o que sinto. Este amor. Por ser um segredo nosso. Por ser um sentimento nosso. Por ser uma escolha nossa, esta, a de o viver só os dois. Está a ser tão difícil. Crer que já não me cabe a mim amar-te. Crer que já não te cabe a ti, amar-me. E não poder gritar para todo o mundo que habita entre nós um sentimento absoluto. Não pensei que um final não feliz custasse tanto. Nem…
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Curating And The Educational Turn – Paul O’Neill & Mick Wilson
Humberto Eco e Rancière abordaram ambos, esta ideia de que a arte não está completa sem um intérprete. Como tal, a participação activa desse mesmo observador, a possibilidade de obra aberta, fez com que todos os conceitos de “arte”, “obra”, “artista”, “público”, “mediador” e “instituição” tivessem que sofrer reestruturações. E sendo que todos somos participantes da obra, então também as questões de “autoria” sofreram alterações e por sua vez, as noções de obra enquanto “trabalho” ou “objecto artístico”. Assim, as obras de arte desenvolveram-se sobre novos modelos de produção e até de apresentação, porque lhes foi dada a possibilidade de participação do público na sua criação e porque cresceram sem…
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Nesse dia. Se acontecer.
Não sei se algum dia vou conseguir estar com outro alguem. Entregar-me. Assim. Por completo. Amei-te tanto. Jurei-te tanto. Para onde vai tudo isso no momento em que um outro, ocupar esse teu lugar? Na verdade, todas as pontes caíram entre nós. Todas as conquistas se deixaram ir rio abaixo. Todos os sentimentos, a pouco, se deixam ir rio abaixo. Arrancam-se do peito. E escorrem em tantas e tão distintas direcções… Vencem. Vencem porque já se me esgotaram as forças. Já não é tempo de os segurar. De os manter. Já não é tempo de os cuidar. Assim. Por completo. Nesse dia. Se acontecer. Quando esse outro alguém se sossegar…
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Experience Or Interpretation (The Dilemma Of Museums Of Modern Art) – Nicholas Serota
Se eu tivesse de me pormenorizar… fisicamente, começava pelos pés. Na verdade estou ciente de que não aparento a normalidade. Em altura, sei que meço mais de quatro metros por isso sim, as minhas proporções são atípicas. Mas acredito que estes, os pés, foram gerados na perfeição. Se subirmos um pouco, encontramos o terminar do meu braço direito: a minha mão. É enorme. E precisamente ao lado, os meus genitais que não a vencem em dimensões. Não tenho qualquer ponto a apontar ao meu tronco. Aliás, julgo que se aparenta firme. Assim, antes do rosto, resta o braço e mão esquerdos que suportam, sobre o meu ombro, também ele esquerdo,…
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Há dias…
Há dias em que procuro não me perder. Não me perder em momentos. Não me perder no que já existiu. Não me perder em ti. Há dias em que os dias não têm pontas soltas. Pontas tuas. Pontas nossas. Mas também há dias em que todos os segundos estão preenchidos por ti. Pelo teu peito. Pelas tuas mãos. Pelo teu beijo… Por ti. Há dias em que as minhas certezas já foram mais certas. Em que eu sabia exactamente o que me vinha aqui no peito. Em que todos os sentidos terminavam em ti. Na tua pele. Há dias em que a força dessas certezas se manifesta loucamente. Mas também…
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A Definição da Arte – Umberto Eco
A obra de arte enquanto visão e expressão artística. A obra de arte enquanto forma e produção artística. Croce. Pareyson. Dois filósofos que interpretaram, cada um com a sua visão, ou cada um da sua forma, a obra arte. Por um lado, o pensamento encaminha-se para a ideia de que a obra cessa no momento em que se abre espaço para a interpretação de outrem, que não a do artista. Por outro, a linha de pensamento fixou-se na ideia de que a obra se define nesse mesmo momento em que se abre espaço para essa interpretação, não comportando apenas a interpretação do artista e afirmando-se enquanto obra aberta. Uma racional,…
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Amor, ou lágrimas.
Caminho sem que estejas, na tua companhia pelos trilhos da vida. Miserável. De peito vazio mas não desocupado. Desgastada de dissabores. Desgastada de ti. De perto. Mais perto, fraca. Todos os cantos deste meu corpo carregam a angústia de te amar e não te ter. Todos os cantos deste meu corpo se desfazem, em parte, a cada sinal de derrocada. A cada despedida. Vivem na esperança de que se faça sol. Ou amor. Porque é aí que todas as forças se reúnem, mesmo sabendo que o último dia será vivido sob um manto de desprazeres. Ou lágrimas. O amor tem destas coisas. Brinda-nos com a graça de saber que alguém…
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O Espectador Emancipado – Jacques Rancière
“Hoje temos teatro sem palavras e dança falada; temos instalações e performances como obras plásticas; projecções de vídeo transformadas em ciclos de frescos; fotografias tratadas como quadros vivos ou como pintura histórica; temos escultura metamorfoseada em show multimédia, e muitas outras combinações” [Jacques Rancière (trad. José Miranda Justo); 2010; pág. 33] Chegámos a este “hoje temos” por meio de uma grande bola de neve que, pelo seu caminho, encontrou autores, artistas, espectadores, filósofos, mestres e ignorantes com um saber próprio. Na verdade, um saber capaz de arrastar tamanha ignorância até um outro patamar. “Emancipado Intelectualmente”. No fundo, um lugar onde se é capaz de apurar o saber por conta própria. Com…
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Bastava estares.
Bastava estares. Partilhares meio metro quadrado comigo. E eu era feliz. Bastava isso. Existires no mesmo chão que eu. Respirares onde eu respiro. Era sinal de que estavas perto. E não assim. Aí. Era sinal de que eu estava bem. E não assim. Aqui. Nunca te pedi mais que isto. Estar. Porque tudo em mim despertava no momento em que os nossos olhares se presenciavam. Sorriam e eu era feliz. Sempre preferiste esse teu lugar onde este amor não existe. Ou pelo menos onde não se sustenta. Onde encontraste a felicidade e decidiste estar. Sem que isto que se gerou em nós, fosse próprio dos teus dias. Sem que eu…
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O amor não se esquece assim
Não pensei que fosse possível chegar aqui. Não pensei que fosse possível apagares-me de ti. Porque eu minto quando digo que não te quero aqui. Porque eu sinto impossível apagar-te em mim. Nesta hora, onde a dor assenta, onde o teu abraço faz falta, nesta hora, não estás. Nem vais estar. Porque me apagaste de ti. Sem pontas soltas. Mesmo com toda uma história de amor de infinitas peripécias. Mesmo com toda uma colectânea de recordações. Não estás. Nem vais estar. É aqui que nos distinguimos meu amor. Não é minha vontade apagar-te de mim. Afinal, foi amor. E o amor não se esquece assim. Sem pontas soltas. E a…