• E se já passar da hora?

    Nunca sei se é tempo. De dizer que sim. Que te dou a mão. Que caminho contigo. Que te levo comigo. Nunca sei se é tempo. Não te sinto ainda, assente o suficiente na ideia de me teres nos teus braços, para sempre. Assente. Assente o suficiente. Não te sinto ainda, seguro de que me queres como certa em todos os dias da tua vida. Nunca sei se é tempo. Recuo a cada sorriso teu. Com medo de cair redonda, mais uma vez. Recuo a cada indício teu de que não estamos nisto só os dois. Por não saber se há por aí mais alguém. Que te ocupa o peito.…

  • Perspectivas (Situación Actual De La Educación En Los Museos De Artes Visuales) – María Acaso

    Um texto. Em tempos, numa primeira abordagem com a mediação das artes, foi-me dado um texto. Li-o uma primeira vez, confesso que na diagonal, e percebi pouco. Li-o uma segunda e terceira vez, mais a fundo, e percebi pouco. Por momentos, senti-me sozinha, numa sala onde todos falavam do mesmo e de mim não saiam palavras. Congelei. Seria suposto eu ter assimilado alguma coisa? Seria suposto eu não ter assimilado coisa alguma? Apercebi-me de que não era a única. Algures, naquela sala tão pequena que asfixiava todas as ideias que supostamente me chegavam sobre mediação, não era a única. Outros tantos também se encontravam de pensamento vazio. Ou cheio. Confuso.…

  • Nova Iorque – Como é vivida a arte?

    “New York is made up of millions of different people, and they all come here looking for something.” ― Lindsey Kelk Será? Será que todos os que lá vão procuram efectivamente coisa alguma? Nova Iorque é definitivamente a cidade que nunca dorme e claro está que as suas artes estão também sempre despertas. Todas as manhãs os seus visitantes existem na correria pela possibilidade de imersão nas mais variadas casas das artes, tal como todas as tardes, tal como todas as noites. As organizações alinhadas de pessoas formam-se e os pequenos compartimentos de venda de cartões-de-visita esgotam todas as impressões do dia. E as horas passam. O público observa. Uma,…

  • Esse passar da tua mão…

    Esse passar da tua mão pela espinha das minhas costas, no calor de cada momento a dois, suspende a minha respiração por instantes e só se faz ouvir este bater. Mesmo aqui. Junto ao peito. Forte. Certo. Meu. Por ti. Arrepia-me. Faz-me sorrir. Leva-me a ti e devolve-te um beijo. Esse passar da tua mão pela espinha das minhas costas, no calor de cada momento a dois, oferece-nos o segundo perfeito. Aquele tempo onde todos os sentimentos se unem numa combinação única e nos entregamos um ao outro, loucamente. Como se não houvesse amanhã. Existimos. Suspensos neste amor. Que nos leva o tento e nos apresenta o motivo pela qual…

  • Ainda assim. Eternamente.

    Adoro saber que conheces todos os meus pontos fracos, um a um. E ainda assim, prometes amar-me eternamente. Adoro saber que nunca desistes. Que procuras nunca perder essa capacidade que tens de me surpreender. De me presentear. De me roubar um sorriso por entre um susto, seguido do calor do teu abraço. E um beijo. Doce. Longo. Nosso. Adoro saber que me sabes de cor. E ainda assim, prometes amar-me eternamente. Mesmo que seja dia de juntar todos os defeitos numa manhã só. Mesmo que seja dia fugir e nunca mais voltar. Adoro saber que para ti, essa não é uma possibilidade. Adoro saber-te seguro de mim. Adoro saber-te de cor.…

  • A dor que deixaste é dura de abater.

    A dor que deixaste é dura de abater. Ninguém nos prepara para isto. Nem mesmo a idade. Não há alguém encarregue de suportar tamanha desventura. Não são aqueles, que aos poucos deixam parte de si, quem tem de nos preparar para isto. Não são os anos. Ninguém nos prepara para a perda. Para a dor. A que vem de dentro e nos puxa para um fundo maior. A que se alonga num caminho imenso e promete fundir-se por aqui. Ninguém. Ninguém nos prepara para isto. Nem mesmo a idade. Não há idade que atenue este estalar do coração dentro do peito, no momento em que tu, escolheste ser outro. Sem mim.…

  • Ser a escrita deste amor

    Quando me fiz tua parte. Não cabiam em mim as incertezas. As hesitações. Caminhava no limiar do desassossego e era feliz. Quando me fiz tua parte encontrei-me em ti. Perdurei no teu abraço até que em ti me sentisses tua. Amei-te. Com todo o meu coração fora do peito. E tu, asseguraste-me clara em ti. Ali e em todos os outros lugares que escolhêssemos para nos amar. Para nos atentar o rosto. Para nos poupar da mais ínfima dor. Quando me fiz tua parte prometi-me a ti. E jurei nunca recuar. Nem tão pouco seguir noutra direcção, até. Quando me fiz tua parte esgotou-se a possibilidade de me perderes para…

  • A Nuvem – 9ª Bienal do Mercosul

    Maria Lind inicia a sua exposição em relação à questão “por que mediar a arte?” com a própria definição da palavra “mediação”. No fundo, para se discutir todas as questões levantadas por esta primeira, é fundamental esmiuçar isto: o que é efectivamente a mediação. Será realmente a transmissão pragmática de uma mensagem? Na verdade nunca chegaremos a uma conclusão. Tal como com a arte. A essa ninguém se atreve a atribuir significados, preferem viver em conformidade com a mesma fazer dela tudo aquilo que ela poder ser. Na mediação procura-se o mesmo. Não em tamanha escala, mas sim, exactamente o mesmo. Procura-se quebrar convenções, explorar novas formas de a concretizar…

  • Dizem

    Dizem que o tempo cura tudo. Que nos acalma o bater do peito e nos sossega a respiração. Dizem que a dor é menor se os olhares não se cruzarem. Que os suspiros perdem a afluência e que a vida ganha outra cor. Dizem que o tempo cura tudo. Até as recordações. Dizem. Dizem que alivia os sentimentos e que nos leva o amor. Dizem. Dizem que o tempo nos ampara o primeiro passo numa outra direcção. Que nos encaminha até aquela primeira instância. Onde tudo o que foi, já não o é. Onde tudo o que quisemos, perdeu a vontade de o ter. Onde tudo o que amámos, deixou…

  • Against Interpretation – Susan Sontag

    Até que ponto. Até que ponto! Até que ponto? Até que ponto é que nós, seres pensantes, temos este direito de acrescentar cores à obra de arte? Até que ponto é que nos cabe a nós descompor essa transparência? Essa primeira essência emaranhada em formas e conteúdos singulares, que fazem dela uma experiência irrepetível? Até que ponto?! Será esse o nosso papel? O de separar conteúdos de formas e atribuir novas interpretações à arte? Teremos mesmo um papel interventivo na arte? Esprememos a arte mimética até que dela emergisse um conteúdo. Conteúdo esse que dizíamos ser uma conjunto de elementos, próprios de cada obra, mas aos quais nós, seres pensantes,…