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Bastava estares.
Bastava estares. Partilhares meio metro quadrado comigo. E eu era feliz. Bastava isso. Existires no mesmo chão que eu. Respirares onde eu respiro. Era sinal de que estavas perto. E não assim. Aí. Era sinal de que eu estava bem. E não assim. Aqui. Nunca te pedi mais que isto. Estar. Porque tudo em mim despertava no momento em que os nossos olhares se presenciavam. Sorriam e eu era feliz. Sempre preferiste esse teu lugar onde este amor não existe. Ou pelo menos onde não se sustenta. Onde encontraste a felicidade e decidiste estar. Sem que isto que se gerou em nós, fosse próprio dos teus dias. Sem que eu…
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O amor não se esquece assim
Não pensei que fosse possível chegar aqui. Não pensei que fosse possível apagares-me de ti. Porque eu minto quando digo que não te quero aqui. Porque eu sinto impossível apagar-te em mim. Nesta hora, onde a dor assenta, onde o teu abraço faz falta, nesta hora, não estás. Nem vais estar. Porque me apagaste de ti. Sem pontas soltas. Mesmo com toda uma história de amor de infinitas peripécias. Mesmo com toda uma colectânea de recordações. Não estás. Nem vais estar. É aqui que nos distinguimos meu amor. Não é minha vontade apagar-te de mim. Afinal, foi amor. E o amor não se esquece assim. Sem pontas soltas. E a…
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Levaste-me o chão
Existo numa queda imensa sem fim. Levaste-me o chão. Assim, de uma só vez. Não encontro forças para travar isto. Que me leva do mundo. Que me leva de ti. Não tenho como segurar esta perda, não há meio de me dares a mão. Assim, de uma só vez. Entrei neste estado de apatia onde seguramos as lágrimas e desejamos viver sem que a dor se manifeste. Porque dizem que existe todo um outro mundo, sem nós, onde te olham com sorrisos e te cumprimentam com segredos. Um lugar sem amor. Um lugar sem ti. Vivo por fora porque todo o meu âmago ficou em ti. Assim, de uma só…
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Dás?
Fico assim meia baralhada. Nesses nossos encontros de meio minuto há sempre uma colectânea de borboletas que fica em mim. E eu já não sei bem onde guardar cada uma delas. Confundem-se umas nas outras e arrepiam-me os cantos. Levam-me a voz. E eu não tenho como definir isto. Porque em meio minuto, correm sentimentos, vontades, pensamentos e borboletas. E depois, quando é tempo de voltar a mim, já passou. Escapaste. Escapas-me a cada meio minuto. E deixas borboletas. Por vezes, o zoo inteiro. Mas sempre com vontade de que o próximo meio minuto se multiplique infinitamente, para que em mim seja possível perceber isto! E arrumar o coração no…
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Deixa de fazer falta
Chega a um ponto em que deixa de fazer falta. Exageramos na dose. Na ausência. Exageramos na dose de ausência. Chega a um ponto em que eu percebo que nunca sofreste dessa dor. A dor de me ver chorar. Essa, nunca te coube no peito. Nunca te foi preciso. Porque eu escolhi exagerar na dose de ausência. E tu nunca tiveste que saber o que é secar uma lágrima minha. E chega a um ponto, em que deixa de fazer falta. O teu cheiro, deixa de fazer falta. O teu sabor, deixa de fazer falta. Não importa se dói. Chega a um ponto… em que já não importa se dói…
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Amanhã já és feliz …
Por momentos sentes que se está a extinguir. O que dele ainda resta, está a despir-se de ti. Sentes que basta mais um dia para que se esgote por completo. E amanhã, já és feliz. Mas depois, como que uma correntezinha de ar, que te sobe a espinha e arrepia o pescoço, chega um pico de saudade. Um pequeno reviver. Aquela parte de ti que não controlas. Dá de si e apresenta-te recordações, sentimentos e vontades. E tu hesitas. Porque amanhã vai passar. Basta mais um dia para que se esgote por completo. E amanhã, já és feliz! Mas a verdade é que o tempo não cura o amor. Atenua…
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Vestia-se de eterno e gerou-se efêmero
Há quem diga que é o amor que mantém as pessoas unidas. A nós, foi o que mais nos separou. Nunca conseguimos uma harmonia. A nossa. A nossa harmonia. Afinal, todos os amores têm uma. O nosso não. Sempre foi demais. Demasiadas distrações. Demasiados compromissos. Demasiados outros afazeres, que não este. De amar. Amar e ser amado. Isso, nunca foi uma prioridade. O nosso amor sempre foi assim. Desafinado. Não podíamos estar muito tempo juntos, nem separados. Não podíamos apropriar-nos, nem viver sem ele. O nosso amor, meu bem, sempre foi assim. Desafinado. Tirava-nos o fôlego. Levava-nos o controlo. Vestia-se de eterno e gerou-se efêmero. Despiu-nos. Deixou-nos a pele. E…
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Falámos de nada
Falámos. Falámos de sentimentos, emoções e desejos. Falámos de amor, de nós. Falámos de felicidade, de saudade. No fundo, de nada. Falámos de nada. Nunca falámos em nada. Nem no que queríamos. Falaste por segundos, sob o céu e as estrelas, em fazer-me feliz. Dizias tu. Querias fazer-me feliz. Mas nunca deduziste que não se é feliz em silêncio. Não é por as saudades falarem mais alto que se é feliz em silêncio. E essas noites… de “segundos” não passavam de um ir e vir com a sensação de que nos estávamos a usar. Confessa, com o mesmo fim. Não nos soubemos manter. Não nos soubemos manter no amor. Porque…
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Não sei o que isso é
Gostava de conseguir dizer que hoje é o último dia que te escrevo. Quero continuar a escrever sobre amor, mas não sobre ti. Na verdade não sei o que isso é. Escrever sobre amor, mas não sobre ti. Amor és tu. És tu quem me ocupa o peito. És tu quem me faz sorrir. És tu a quem eu devo o significado de amor. E o mundo não sabe o que é isto. No fundo, sabe. Cada um à sua maneira. Mas não sabe o que é ter-te a ti no peito. Ter-te a ti nos pensamentos. Nas palavras. Nos suspiros. Isso, o mundo não sabe. Os dias alongam-se. As…
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Nunca
Vazia. Vazia é como me sinto. Seguiste caminho sozinho e deixaste-me aqui. Vazia. Sempre que vais levas-me tudo, sabes? Os sorrisos. O coração. Até o amor. Levas-me o amor. E de repente, dou por mim vazia. Porque és tu quem melhor me preenche os espaços. Porque é teu este lugar. Aqui, mesmo junto ao peito. Não sei se o sentes. Se acreditas que é aqui que pertences. Em mim. Se acreditas que és tu quem me enche o coração. Mas eu também não estou segura de que o meu lugar é aí. Mesmo junto ao peito. Nunca me deste esse espaço. Nunca o senti meu. E … se, por ventura,…