• E se já passar da hora?

    Nunca sei se é tempo. De dizer que sim. Que te dou a mão. Que caminho contigo. Que te levo comigo. Nunca sei se é tempo. Não te sinto ainda, assente o suficiente na ideia de me teres nos teus braços, para sempre. Assente. Assente o suficiente. Não te sinto ainda, seguro de que me queres como certa em todos os dias da tua vida. Nunca sei se é tempo. Recuo a cada sorriso teu. Com medo de cair redonda, mais uma vez. Recuo a cada indício teu de que não estamos nisto só os dois. Por não saber se há por aí mais alguém. Que te ocupa o peito.…

  • Esse passar da tua mão…

    Esse passar da tua mão pela espinha das minhas costas, no calor de cada momento a dois, suspende a minha respiração por instantes e só se faz ouvir este bater. Mesmo aqui. Junto ao peito. Forte. Certo. Meu. Por ti. Arrepia-me. Faz-me sorrir. Leva-me a ti e devolve-te um beijo. Esse passar da tua mão pela espinha das minhas costas, no calor de cada momento a dois, oferece-nos o segundo perfeito. Aquele tempo onde todos os sentimentos se unem numa combinação única e nos entregamos um ao outro, loucamente. Como se não houvesse amanhã. Existimos. Suspensos neste amor. Que nos leva o tento e nos apresenta o motivo pela qual…

  • Ainda assim. Eternamente.

    Adoro saber que conheces todos os meus pontos fracos, um a um. E ainda assim, prometes amar-me eternamente. Adoro saber que nunca desistes. Que procuras nunca perder essa capacidade que tens de me surpreender. De me presentear. De me roubar um sorriso por entre um susto, seguido do calor do teu abraço. E um beijo. Doce. Longo. Nosso. Adoro saber que me sabes de cor. E ainda assim, prometes amar-me eternamente. Mesmo que seja dia de juntar todos os defeitos numa manhã só. Mesmo que seja dia fugir e nunca mais voltar. Adoro saber que para ti, essa não é uma possibilidade. Adoro saber-te seguro de mim. Adoro saber-te de cor.…

  • A dor que deixaste é dura de abater.

    A dor que deixaste é dura de abater. Ninguém nos prepara para isto. Nem mesmo a idade. Não há alguém encarregue de suportar tamanha desventura. Não são aqueles, que aos poucos deixam parte de si, quem tem de nos preparar para isto. Não são os anos. Ninguém nos prepara para a perda. Para a dor. A que vem de dentro e nos puxa para um fundo maior. A que se alonga num caminho imenso e promete fundir-se por aqui. Ninguém. Ninguém nos prepara para isto. Nem mesmo a idade. Não há idade que atenue este estalar do coração dentro do peito, no momento em que tu, escolheste ser outro. Sem mim.…

  • Ser a escrita deste amor

    Quando me fiz tua parte. Não cabiam em mim as incertezas. As hesitações. Caminhava no limiar do desassossego e era feliz. Quando me fiz tua parte encontrei-me em ti. Perdurei no teu abraço até que em ti me sentisses tua. Amei-te. Com todo o meu coração fora do peito. E tu, asseguraste-me clara em ti. Ali e em todos os outros lugares que escolhêssemos para nos amar. Para nos atentar o rosto. Para nos poupar da mais ínfima dor. Quando me fiz tua parte prometi-me a ti. E jurei nunca recuar. Nem tão pouco seguir noutra direcção, até. Quando me fiz tua parte esgotou-se a possibilidade de me perderes para…

  • Dizem

    Dizem que o tempo cura tudo. Que nos acalma o bater do peito e nos sossega a respiração. Dizem que a dor é menor se os olhares não se cruzarem. Que os suspiros perdem a afluência e que a vida ganha outra cor. Dizem que o tempo cura tudo. Até as recordações. Dizem. Dizem que alivia os sentimentos e que nos leva o amor. Dizem. Dizem que o tempo nos ampara o primeiro passo numa outra direcção. Que nos encaminha até aquela primeira instância. Onde tudo o que foi, já não o é. Onde tudo o que quisemos, perdeu a vontade de o ter. Onde tudo o que amámos, deixou…

  • Porque assim se fez…

    Isto está a ser tão difícil… Acomodar-me a este tempo. A este meu novo lugar. Onde eu já não tenho a graça de te ter. Onde já não é tempo de guardar do mundo o que sinto. Este amor. Por ser um segredo nosso. Por ser um sentimento nosso. Por ser uma escolha nossa, esta, a de o viver só os dois. Está a ser tão difícil. Crer que já não me cabe a mim amar-te. Crer que já não te cabe a ti, amar-me. E não poder gritar para todo o mundo que habita entre nós um sentimento absoluto. Não pensei que um final não feliz custasse tanto. Nem…

  • Nesse dia. Se acontecer.

    Não sei se algum dia vou conseguir estar com outro alguem. Entregar-me. Assim. Por completo. Amei-te tanto. Jurei-te tanto. Para onde vai tudo isso no momento em que um outro, ocupar esse teu lugar? Na verdade, todas as pontes caíram entre nós. Todas as conquistas se deixaram ir rio abaixo. Todos os sentimentos, a pouco, se deixam ir rio abaixo. Arrancam-se do peito. E escorrem em tantas e tão distintas direcções… Vencem. Vencem porque já se me esgotaram as forças. Já não é tempo de os segurar. De os manter. Já não é tempo de os cuidar. Assim. Por completo. Nesse dia. Se acontecer. Quando esse outro alguém se sossegar…

  • Há dias…

    Há dias em que procuro não me perder. Não me perder em momentos. Não me perder no que já existiu. Não me perder em ti. Há dias em que os dias não têm pontas soltas. Pontas tuas. Pontas nossas. Mas também há dias em que todos os segundos estão preenchidos por ti. Pelo teu peito. Pelas tuas mãos. Pelo teu beijo… Por ti. Há dias em que as minhas certezas já foram mais certas. Em que eu sabia exactamente o que me vinha aqui no peito. Em que todos os sentidos terminavam em ti. Na tua pele. Há dias em que a força dessas certezas se manifesta loucamente. Mas também…

  • Amor, ou lágrimas.

    Caminho sem que estejas, na tua companhia pelos trilhos da vida. Miserável. De peito vazio mas não desocupado. Desgastada de dissabores. Desgastada de ti. De perto. Mais perto, fraca. Todos os cantos deste meu corpo carregam a angústia de te amar e não te ter. Todos os cantos deste meu corpo se desfazem, em parte, a cada sinal de derrocada. A cada despedida. Vivem na esperança de que se faça sol. Ou amor. Porque é aí que todas as forças se reúnem, mesmo sabendo que o último dia será vivido sob um manto de desprazeres. Ou lágrimas. O amor tem destas coisas. Brinda-nos com a graça de saber que alguém…