• É amor, deixa ser…

    No calor deste São Valentim, quis partilhar convosco isto. Um outro lado do Deixa Ser. O lugar onde alguns dos que me lêem a cada sábado, se abraçaram sobre um dos meus textos e lhe deram um bocadinho mais de amor. Juntos, fizeram uma compilação única. Própria de cada um. Exclusiva de todos vocês. Juntos, aquecem-vos o peito. Ante cada um dos seus rostos, sob cada uma das suas vozes. Juntos oferecem-vos três minutos de corações cheios. Sim, é amor, deixa ser…     Entrega-o e faz dele teu.

  • Já te asseguro que te amo

    Sorriste-me, sorri-te, estendeste-me a mão e roubaste-me para junto de ti. Assentei com receio, cada um do meus pés sobre os teus e aproximei-nos o rosto. Deixaste que a tua mão direita se ocupasse da minha cintura e seguraste-me com firmeza, para que não me restassem dúvidas. Fez-se música. Sem que se fizesse notar. Em sufoco. Num segundo fomos requintes um do outro. Frágeis. Incertos. Inteiros. Absolutos. Segurámos as mãos e demos o primeiro passo. Completamente apavorados. Plenamente embevecidos. Apaixonados. Convictos. Demos início à nossa história de amor. Sem que para isso fossem precisas palavras. Certezas. Promessas. Sob um primeiro beijo de muitos outros, confiámo-nos. Trocámos corações, vestimos sentimentos. Esta…

  • A tinta que te corre nas veias

    Sempre que estamos juntos redesenhas o meu corpo. Como que procurasses acentuar todos os meus traços, só para te certificares que nada se deixa desvanecer. Ou esquecer. E desenhas-me, mais uma vez. Longa. Leve. Suave. Mente. Ofegante, mas refém dos teus pensamentos. Adormeces do mundo e naufragas em mim. Sem que te falte cor nos teus traços, garantes-me que a tinta que te corre nas veias, se faz proferir. E desenhas-me. Outra vez. Incessantemente. Descuidado. Retido nos demais rabiscos que teimas em não concluir. Persistes. Convicto de que algures no amanhã me firmaste em ti. Esquecido de que não me tens. Desenhas-me. Conservas-me. E seguras todas essas tuas linhas. Sem…

  • Escuta.

    Abraça-me. Diz-me que não estou em mim. Escuta. Sim, eu sei. É ténue. Mas escuta. Em suspiro, escuta. Brotaram em mim ruídos indistintos. Sussurram verdades. Talvez dúvidas. Por vezes certezas. Confundem-se nas linhas que te escrevo e apontam-me sentidos contrários. Escuta. Consomem-me. Levam-me para longe. Vestem-me sentimentos tamanhos e não me deixam forma de os evadir. Escuta. Abraça-me. Força. Não queiras procurar ser imperceptível em mim. Devolve-me o foco. Abraça-me e cede-me este amor. Escuta. Está seguramente louco, este bater. Decerto, cansado de te amar. Escuta. Grita por respostas. Desfaz-se em interrogações. Abraça-me! Mentir-te-ia se te dissesse que contigo me sinto bem. Mentir-te-ia se te espelhasse que a distância não…

  • Agora sou feliz.

    Perderam-se. Algures, nas cicatrizes que em tempos se diziam pesares, perderam-se. Os encantos. As vontades. O amor. Perderam-se. Abandonei-os. Abandonaram-me. E os dias ofereceram-se mais quentes. Sob o sossego do espírito. Sob o varrer da dor. Já não te sou tua. Já não te sou nada. Escoei-te de mim. Esqueci-me de ti. Segurei-nos por tanto tempo. Castiguei-me por tantas vezes. E já se me esgotaram os porquês. Mas não se me acabaram os pedidos. Não voltes. Este. O último. Ainda que não me custe, não o quero deixar por te entregar. Este. O último. Sim, não voltes. Jura-me que não voltas. Sim. Jura-me. Jura-me que não voltas. Não quero que…

  • O Último.

    Assustou-me a forma como, num impulso, sentias tudo por mim. Mal sabia ser contigo. Não me encontraste bem. Estava fraca. As palavras. Tinha todas por dizer. Não me habitavam vontades. Nem força. E ruir era a condição primeira de todas as manhãs. Entregava-me ao que ficara de antes. Às amarguras. Às promessas. Ao tempo. À espera. Os dias teimavam em acontecer e eu residia na espera. Suspensa numa ânsia tremenda de que me chegassem boas notícias. Recusava-me a olhar-te. Mal sabia que eras tu. Não me encontraste bem. Desculpa. Nunca me tinham gostado por inteiro tão de repente. Estranhei-te sempre que te mostraste perto. Desculpa. Ficaste. Onde pudeste ficar, mas…

  • Talvez sim

    Foi o tempo que te dediquei que fez de ti alguém tão importante. Acho que nunca te tinha dito. Mesmo que não desses por isso. Foram todas essas conversas onde não fizemos contas ao tempo, que fizeram de ti alguém tão importante. Foram todos esses meus “nada” sempre cheios de tudo, que nos trouxeram até aqui. Foram. Por vezes penso que se tivesses sido mais claro, talvez não estivéssemos aqui. Ou se, por ventura, eu tivesse sido menos penosa de chegar, talvez já estivéssemos noutro lugar. Talvez não. Por vezes penso que talvez fosse melhor dizeres-me quando é que te aconteceu cessares-me assim em ti. Ou porquê. Talvez não. Perco…

  • Diz-me

    Que amor é este que me enche o peito sempre que te espreito? Que me acontece sarar as marcas da alma a cada gargalhada conjunta. Que me acende este brilho nos olhos, nas noites em que me deixo afundar por dissabores tão fundos. Que me leva para perto de ti, ainda que não mais do que em pensamentos. Que amor é este? Que me diz que é por aí, mas que insiste em empurrar-me para tão longe? Que amor é este? Será de ti? Das tuas não palavras, que preferes segurar até que em mim encontres forma de as entregar? Será de mim? Que me teimo interdita a ti. Que…

  • Porque é Natal

    Hoje é natal. E porque hoje, há tantos anos, o tempo pára e só ficam os bons momentos, a minha vontade é a mesma de sempre. Ficar no calor dos lençóis e esperar que o dia corra por mim. Porque é natal. E para mim, não é mais do que um dia de inverno. Já te disse que não adoro a quadra natalícia? Onde todos dão as mãos e rezam para que se faça sol. Onde as ruas se iluminam e cai sobre o mundo uma névoa que aquece corações. Onde os desejos se realizam e os males fazem greve. Porque é natal. Já te disse? Já te disse que…

  • Quero. Sei.

    A vida fez-me assim, a medo. Sorrio, a medo. Abraço, a medo. Hesito, a medo. Amo, a medo. Porque a vida me fez assim, a medo. Levo tempo. A encontrar respostas, a clarear caminhos, a perceber sentimentos, a chegar a ti. Levo tempo. A medo. Mas sei. Sei exactamente o dia em que o senti. Assim, tudo de uma só vez. Sei. Sei que perdi o senso. Que fiquei confusa. Que caí em certezas. Que não quis mais encontrar-te assim, a medo. Sei. Sei que me perguntei, nesse instante, todas as vezes: o que é isto que estou a sentir? Sei. Sei que levo tempo. E que o tempo que…