• Sim!

    Se a razão explicasse o porquê deste meu sorriso sem motivo, as palavras não chegavam para te entregar essa verdade em pleno. Sim. O coração acelerou quando de repente, se fez um momento em que de alguma forma te senti mais perto de mim. E a sintonia entre os nossos batimentos cardíacos resultou num sossego reboliço. Um descontrolo de emoções. Sim. Já o tinha concebido em mente, no silêncio das nossas respirações. Certa de que nunca seria como o antevia ser. Segura de que o ia gostar. Porque o queria há muito tempo. Sim. Sinto e ressinto esse inesperado primeiro beijo. Que nos levou de arrasto para todos os lugares do mundo, condenado…

  • Chego-te. Quero-te.

    Confundes-me as partes longe de privações. Numa combinação tua, vestes-me. Sou pormenores sem entretantos. Trechos teus, beijos nossos, enquanto respiras em mim. Abraça-me. Afundei-me contigo neste amor. Que nos segura reféns um do outro nas entrelinhas de um destino inevitável. Abraça-me. Sob as estrelas de amanhã. Envoltos nesta condição maior, abraça-me. Sou os pedaços de ontem que hoje se confirmam teus. Mesmo não certos de que a verdade que carregas se cimenta calada, em mim. Abraça-me. E certifica-te de que nenhum beijo fica por acontecer. Chego-te, neste meu trémulo primeiro passo. Quero-te, em todos os outros que juntos decidirmos dar. Abraça-me. Estou-me completamente tua. Inquieta com a hora em que te confias em mim.…

  • Cheio de Nada. Cheio de mim.

    Não vos distingo. Não vos sei perceber. Se por um lado atraso o passo, por outro corro por aí. Sem que se me esclareçam emoções desalinhadas. Completamente perdida. Suspensa. No desconforto desta inquietude sinto-vos. Despem-me de contornos. Reescrevem-me. Confinada aos vossos quereres, sou. Sou descoberta de saberes. Num desgaste confortante. Sou. Conheço-me, revestida dessas vossas vontades que intentam cimentar em mim. Sou. Sopro. Eis-me pó. Sustento-me refém de tamanhas incertezas. Com que me visto e existo, todos os dias. Aqui, sei-me injusta. Por tudo o que não vos digo. Por tudo o que não vos sei dizer. Aqui, sei-me nua. Como quem nunca saberá assim de mim. Aqui, sei-vos nada.…

  • Não lhe falei de ti

    Falámos sobre amor. Disse-lhe que por vezes na minha vida, fazem-se ver sorrisos alheios. Daqueles que juramos não querer ver. Dos que nos fazem fugir. Dos que nos fazem tremer. Não lhe falei do teu. Ainda. Não que não quisesse contar-lhe, apenas porque não tivemos esse tempo. Mas falei-lhe de tantos outros, que o fizeram sentir-se mais um. Na verdade, penso sempre em tanta coisa, que só metade me chega a sair em palavras e por vezes, não me explico bem. Sabes como sou. Falo pelos cotovelos e deixo tudo por dizer. As últimas palavras que lhe deixei, não foram exactamente as que lhe queria entregar. Queria dizer-lhe tanta coisa… que acho…

  • Chegou a primavera

    Chegou a primavera, trouxe-me o teu perfume. Não sei bem como lhe segredar quão importante tem sido ter-te aqui. Sem urgências. Sem pressas. Sempre, de sorriso no rosto. Com ela vieram uma série de dúvidas, medos, receios e anseios. Talvez de um passado mais escuro. Talvez de um futuro tão incerto. Talvez um dia te entregue essa verdade, no conforto do teu abraço. Mas chegou a primavera, e trouxe-te, sem esse peso. O de me sarar o fundo. O de me segurar as dores, do lado esquerdo do peito. E faz-me, todos os dias, um bocadinho mais feliz. Desde que com ela me chegam a cada noite retalhos teus, faz-me…

  • Está a ser bom

    Digamos que ter-te aos bocadinhos está a ser bom. Fazes questão de aparecer nas minhas mais caóticas manhãs, procuras-me mesmo que seja para um encontro de cinco minutos. Preocupas-te, com a minha concentração no trânsito das cinco, não te deitas, sem antes te despedires e ainda juras, fazer exercício pelos dois. Está a ser bom. Ter-te aos bocadinhos. E perceber que também tu, aos bocadinhos, me vais tendo. De uma maneira ou de outra. Mas vais tendo. Por entre esses teus assaltos à minha rotina. Vais tendo. E escreves-me. Tal como eu te escrevo e desenho as tuas primeiras impressões. Estou segura de que fazes o mesmo. Escrevemo-nos, para que…

  • Tenho-te.

    Guardo o teu nome cravado em todas as esquinas da vida. Tenho-te, desde que nos comprovámos esculturas um do outro. Quando concebíamos emoções desmedidas. Sem ponderações mútuas. Sem arrependimentos prematuros. Quando nos fizemos corpo e se firmou em nós esta pertença, senti-nos completamente arrastados para uma condição maior. Sem que nos conferissem tempo para arrumar sensações. Eras-me o mundo. Cegámo-nos aos dois. Convertemo-nos. E assentimo-nos partes conjuntas. Fazias parte de mim. Fazes parte de mim. Ainda que já não te cuide. Mesmo ciente que deixei de o sentir. Fazes parte de mim. Tu e todas as pequenas coisas que trouxeste para me ultimar. E que me fizeram outra. Como que atravessada por…

  • Fica-me.

    Despertas em mim sentimentos inversos. Permites que subsista no limiar desta inquietude e entregas-me, sem fundamento, os nossos caminhos.  Sereno. Completamente seguro das minhas incertezas. Confias-me. Atentas-me. Deixas que corra por mim um desmedido descontrolo de  emoções que te seduz, sem piedade. E provocas-me. Empurras-me para que te seja mais fácil traduzir todas as minhas palavras em branco. Despes-me. Aprendes-me. Trazes-me de volta. Assim. Sem requisitos. Mesmo sabendo-me desalinhada, cimentas-me no teu abraço. Abrigas-me o coração. Arrepias-me. E levas-me de arrasto para um novo inicio. Onde nos queremos e não nos podemos ter. Onde nos queremos e não nos deixamos ceder. Segura-me o rosto. Fica-me. Com tudo. Mesmo sabendo que nada sabemos sobre este amor.   … Deixa…

  • Só mais todos os bocadinhos!

    Desde que nos temos, partilhamos bocadinhos. Todos os dias. Na verdade, soltamo-nos de pequenos retalhos nossos, para que se estanquem feridas abertas de outros. Ou simplesmente porque sim. Porque vivemos com bocadinhos a mais. Os que nos são intrínsecos e os que se fizeram nossos. Em ti, notam-se os meus. Sem juízo. Com amor. Aqueles que te deixo e se confundem entre o pouco tempo que temos a dois e o outro tanto que ainda está por vir. Guarda-os. Ama-os. Em mim, notam-se os teus. São-me tão claros, meu amor. Mesmo no escuro dos lençóis de meia noite, sobre o calor do teu abraço. Deixam-se revelar. Ocupam-me a pele. Findam-me. Despenteiam-me. Fazem-nos…

  • Despidos de medos, plantámos a nossa flor.

    Afirmámos o nosso amor ante um mundo recheado de outros. Despidos de medos, plantámos a nossa flor. Nesse dia, meu amor, escolhemos o lugar perfeito para dizer que sim e trocar corações. Fez-se chuva. No ímpeto de uma inquietação doentia, onde se congregavam duas vidas e se caminhava uma última vez, sem amparo. Fez-se chuva e começou a nascer. Num segundo, unimos as mãos direitas sob a maior jura de amor. Abraçámo-nos. Concedemo-nos abrigo. Concedemos-lhe o sol.  Libertos de pensamentos. Entregues a esta graça que a vida nos deu. Eternos um do outro, jurámo-nos para a vida. Completamente certos de que todos os segundos seriam vividos a dois. Plenos de…