• Tu. Eu. E esse alguém que nos juntou.

    Acredito num mundo onde todos nós somos feitos por um alguém. Alguém que te desenha, te escreve, te encaminha e te deixa voar. Alguém que te cria na certeza de que segues caminho, incompleto. Tu e outro. Em casas diferentes. Acredito num mundo onde dás os primeiros passos em parte, nu. Porque te faltam pedaços. Ou retalhos de alguém. Não esse. Outro. Acredito num mundo onde um alguém concebe outros dois, sabendo que ambos precisam um do outro. Assim. Exactamente assim. Um lugar onde a ti, não te dão tudo. Mas dão-te alguém que algures um dia te completa por inteiro. Na plenitude de um amor maior. Eu, nasci nesse mundo. Esculpida…

  • Porque assim faltas-me menos

    És tudo na minha vida. Oiço-te segredar-me ao ouvido, por entre lençóis e abraços apertados enquanto nos seguramos a nu. Recomeças-me. Concertas-me. Existo desarrumada quando não estás. Porque tudo no mundo me esgota quando não estás. Acordei. No ímpeto desejo de te ter, entregue a mim… Num abraço dos dois. Num aconchego nosso.. Procurei-te à janela e não resisti a contar-te o que vi… Acreditas que a noite se prometeu esconder até que em mim se sinta o teu perfume de volta? Meu meio corpo, como te sinto falta… Todas as luzes decidiram dormir. A cidade pernoita calada em si. Só se faz ouvir o que me vai aqui… Do lado esquerdo do peito……

  • Sem porque sim nem porque assim.

    Esta noite escrevi tudo o que sinto por ti. Já se faziam frases inteiras e ainda havia tanto por dizer. As palavras não se me esgotavam, as linhas faziam-se acontecer. Céu-te. Foi assim que começou, o céu inteiro dentro de mim. Talvez seja desta que o que te escrevo se deixa encadernar e depois publico-o. Na verdade só preciso de um exemplar para que a tua caixa de correio sorria pela primeira vez. Areio-te. Sempre que os nossos corpos se respiram em noites de lua cheia e no silêncio dos nossos gemidos, se ouve o mar. Sim, sobre esse areal que nos disse que era amor. Todas as palavras do…

  • Até já, meu amor

    Soube o quanto te sinto, quando no calor dos teus lençóis, sob o aconchego desses teus braços, verti a primeira lágrima. Na certeza de que mais logo, já não estarias ali. Na certeza de que amanhã, já não estarias aqui. Abracei-te. Respirei-te. Porque te amo e não me quero sem ti. Nem por dez dias. Nem por dez segundos. Mesmo que as nossas outras vidas o queiram assim. Sei o quanto te sinto sempre que nos entrelaçamos as mãos. A cada aperto. Tão … meu. A cada beijo, tão … nosso. E me entregas esse teu amor por inteiro, assim. Num poema de palavras loucas, onde os sentimentos se deixam…

  • Sinto.

    Há um desassossego que carregas em ti, que me leva de encontro ao teu abraço desde que te destinaste inteiro em mim. Já as estrelas nos sorriam sem que soubéssemos o que tinham para nos confessar. Já era tanto o que te sinto que não tinha mais por onde o segurar. Aquela noite fez-se perfeita. Como todos os beijos. A começar na tua pele, a terminar no meu perfume. Aquela noite fez-se nossa. Da voz ressoavam os quereres. De mim, os saberes. Sei-te no peito, nos lábios. Sei-te metade de mim. Naquela noite soube, o que é amar-te a ti. Não que o não soubesse desde esse primeiro dia que te vi. Mas…

  • Em todos os dias do resto da nossa vida

    Este amor que te guardo leva-me em pensamentos para aquele primeiro dia de uma enorme partilha diária. Este amor que te guardo… Que é tão meu e tão nosso, leva-me sempre até ti. Até ao momento em que será definitivamente certo que eu acordarei para o resto da minha vida sobre o teu peito. Sim, meu amor. Acordei nessa manhã e de mim só se faziam sorrisos. Senti-te o perfume que me fez apaixonar por ti, subi o rosto, aproximei-me, cheirei-te… Hmmm… esse cheiro… Não resisti. Beijei-te o pescoço e segui em direcção a ti. Esses teus lábios são tentadores…. Não me deixam que não os cumprimente a cada sorriso…

  • Já te disse que te amo, hoje?

    Procurei levar-te onde nos escoássemos do mundo. Para que não nos interrompessem os ruídos. Para que não nos descuidassem os murmúrios. E só se fizesse ouvir isto. Que nos incita ao abraço um do outro. E nos faz demorar, ali. Ali demorei-me em ti. Aquando interrompíamos o tempo e nos certificávamos de que o amanhã não se fazia tão cedo. Para que os segundos se permitissem tardar. E um beijo nosso se revelasse sem fim. Ali, demorei-me em ti. No sossego dessa noite amena sob um manto de emoções tão doces.. Ali, meu amor, demorei-me em ti. Entregue a uma combinação única de duas respirações trémulas que se fazem sentir sempre…

  • Quando de repente não te sei explicar…

    Deixa-se sentir logo pela manhã. Chega-me, como quem chama por mim. Inscreve-se. Em todos os detalhes matinais e assenta-me, como que feito para mim. Sim… deixa se sentir logo pela manhã. Num arrepio prazeroso. Sem que precise que o lembre que as manhãs são a hora perfeita para me sussurrar ao ouvido, tudo aquilo que sinto por ti. Veste-me, e faz por me não o soltar o resto do dia. Na certeza de que se estende por todos os cantos e traços da pele, que há em mim. Inteira-me. Sem resistências. Derrama-se. Por todos os lugares onde se faz proferir. E deixa… de caber em mim. Cresce. Até que se me esgotem as palavras que…

  • Por inteira só serei tua.

    Quando fizeram o mundo entregaram-nos ao tempo. Assim, sem certezas de que o amanhã se sucedia. Fizeram-nos corpo, retidos nos primeiros traços de um caminho incomensurável. Seguimos. A medo. Sem medos. Sobre os indícios daqueles que antes haviam passado por aqui. A medo. Parei. Senti-me como que trespassada pelo que não consegui segurar. Assim, sem tempo para o reconhecer. Sem meios para o conservar. Caí. Nesse vazio infindável, que nos priva do mundo e nos devolve sem chão. Caí. Na amargura de um desamor. Onde os pesares nos embaraçam o passo e o amanhã trata de esgotar a dor. Segui. Certa de que não pertencia a tão tenebroso lugar, sem que me deixasse…

  • Segura-me

    Nunca permitas que o teu abraço me deixe cair. Segura-me. A nós. Que existimos reféns desse beijo intérmino. Segura-nos. Deixa que o meu rosto te crave o peito, certo de que nos somos um só. Ouve-nos. Ocupa-se dos nossos suspiros sem que nos pergunte se nos queremos deixar possuir. Cresce. A cada toque. Sem receio de que se faça efêmero, porque sabemos que quando nos chega, não se deixa evadir. Cresce. Sempre que me olhas assim. Funda-nos raízes. Certezas de que nos queremos com todos os pormenores e pontos de exclamação. Completamente entregues à verdade um do outro. Estou tão certa de que todos os nossos acordar de amanhã serão…