• Há qualquer coisa dentro de mim desde esse primeiro dia em que te vi

    Não sei escrever sobre ti. Não sei escrever sobre nós. Na verdade não sei por onde começar, nem como continuar. Nunca conheci alguém que me desse tanta luta. Capaz de me fazer engolir o medo e seguir. Sobre a incerteza de certeza nenhuma. Sobre um desconhecido incitador. Vejo-te vestido de silêncios de história. Onde a cada estremecer das nossas respirações se ouve um mar de inquietações. E de seguida, um sorriso. Como se nada disso importasse naquele preciso momento. E num silêncio dizíamos tanto. Assusta-me esta energia que me fazes sentir desde esse primeiro dia em que te vi. Faz-me querer ter-te por perto. Faz-me querer estar por perto. E…

  • Simples

    Segurei-me a tudo o que deixaste de errado e resolvi-te dentro de mim. Como que para deixar de sentir precisasse de deixar de gostar. Simples. Semeaste uma infinidade de emoções, desmedidas, que me ocuparam os cantos, desprovidos de sentidos, e juraste não mais partir. Simples. Fomentámos um sentimento maior. Acreditámos na combinação, pura, entre dois corpos nus. Completamente despidos de outras afeições. Fomos a inteira parte um do outro. Sem outras interpretações. Sem essas interrogações. Simples. Dois corações trocados. Duas almas rendidas. Sei que nada se perdeu nesse rasgar de compromissos. Sei que nada se esqueceu nessa corrida pelo tempo. Nessa vontade de suprimir todo o amor que se viveu.…

  • Essa brisa que há em ti

    Não me sei capaz de saber o que sinto. Ou melhor, o que te sinto. O corpo caminha e eu deixo-me para trás. Ou não. O corpo caminha e eu caminho com ele. Vamos ao teu encontro. És exactamente aquilo que jurei não mais existir. Ou não. És exactamente aquilo que não esperava descobrir. É tudo tão igual e tão diferente em ti. Em nós. Todo este começar. Ou não. Trazes contigo uma leve brisa doce, que me inquieta o sorriso e me devolve o chão. Deixava que os dias corressem assim. Num reboliço de emoções. Ou não. Ou sim!  

  • Não guardo nem um segundo dessa felicidade dissimulada

    Os dias não esperam que me recomponha. Forçaram-me a continuar. Não temos tempo para nos reter no passado. Não temos tempo para viver no que deixou de existir. E chega uma hora em que as memórias se confundem entre emoções distantes e na verdade o que fica, torna-se impreciso. Não sei distinguir. Um ano de memórias que não se deteve dentro de mim. Fica, o que ainda resta do pouco do que não se confundiu. Entre pretextos e equívocos, entre ilusões e constatações. Fica. Pouco. Muito pouco. E num acordar, nesse acordar, já não dói assim tanto. Já não dói, nem metade. Fica, essa linha ténue da felicidade que senti nesse…

  • Conheci-te. Agora sim.

    Conheço-me como quem mede todos os riscos ao milímetro. Nunca me deixo seguir por caminhos incertos. Estou certa, de que tudo seria mais simples se um dia ao desconhecido me deixasse entregar. Conheci-te. E nessa insegurança de nada saber, consenti que o tempo decidisse por mim. Deixei-te chegar. Num jeito teu que me convidou a sentar. Foste tudo o que desenhaste ser. Muito do que desejei sentir. E todas as partes que juntámos a dois se cimentaram numa verdade que geraste sobre o vento. Todos sabemos que o vento não fica. Olho para mim, nesse exacto dia, onde percebo que tudo o que eras, apenas dizias ser e entendo o…

  • Dorme comigo só mais todos os dias das nossas vidas.

    O dia silenciou-se. Fechámos as janelas e deixou de se ouvir. Tiraste as tuas roupas. Tirei as minhas roupas. E ficámos ali. No aconchego dos nossos corpos nus. Bocejaste, nesse teu doce jeito de ser. Adormeci, no aconchego do teu abraço. E a noite caiu na sua pressa de acordar. O problema das noites a dois é que o tempo de olhos fechados passa a correr. Amo-te tanto meu amor. E eu a ti, minha amora. Aquece-me esse amor que respiras por mim pela noite fora. Solto-te as palavras que me fazem amar-te nu. E de repente, “tanto” deixa de ser suficiente para cobrir tudo o que te sinto. Já te disse…

  • E todas as estrelas caíram dos céus.

    Entreguei-te um corpo em branco. Completamente limpo de aventuras. Sem passados, nem memórias. Sem saudade, nem histórias. Pronto, para ti. Nessa noite, no dia em que me tornaste tua, todas as estrelas nos sorriram sem que soubéssemos o que tinham para nos dizer. Fizemos do mundo um lugar desabitado. E tudo o que dele restava era esse amor que nos fazíamos sentir. Quero-te aqui. Deitado a meu lado. (Preciso de reaprender a dormir sozinha.) Num segundo éramos do mundo. No outro éramos de dois. Dois mundos distintos. Dois caminhos desprendidos. Duas vidas divididas. Um amor ferido. Quero beijar-te como se não houvesse amanhã. (Preciso de reaprender a cuidar da secura…

  • O Teatro no Colégio Piloto Diese ou será melhor chamar-lhe Jogo?

    Trabalho como professora de teatro no Colégio Piloto Diese, mas de facto, ao que faço, não lhe quis chamar teatro, nem tão pouco expressão dramática, porque no fundo, tudo o que trabalhamos não é nem uma coisa nem outra. Confundimos muitas vezes as palavras “teatro” com “expressão dramática” e acabamos ainda por juntar as duas saindo um… “teatro dramático”, sem nunca pôr em causa as suas definições. Ora começando pela palavra teatro, o dicionário português define-a como: “Local destinado a jogos e espetáculos públicos, na antiga Roma; Edifício onde se representam obras dramáticas; Conjunto de obras dramáticas, geralmente de um autor, de um país, de uma época; Arte de representar; Profissão…

  • Talvez aí o mundo fosse mais feliz.

    Devia existir uma forma de desconsquistar corações. Desconquistar porque perder já existe. E a perda não passará nunca disso mesmo, uma perda. Tudo termina nesse lugar onde um dia decidimos perder. O que foi. O que existiu. O que sentimos. O que vivemos. Perde-se. Com essa exacta frieza. Perde-se. E amanhã deixa de existir em nós. Mas o mundo devia encontrar uma forma não tão dura de perder. Um desconquistar. Tal como vivemos um conquistar. Passo a passo. Dia a dia. Sem pressas, sem de repentes. Aos poucos. Talvez precisemos de nos desabituar de tudo isso a que nos acostumámos. Sem que para isso fosse preciso passar por um processo…

  • Madalena do coração

    Minha Amora… seguras-me o coração como se te quisesses certificar que não o deixo cair. Nem por um segundo, nem por distracção. Seguras e fazes dele tantas coisas… não passas um dia sem o confortar, sem o abraçar, sem o apaparicar, sem o animar, sem sorrir.. sem o largar. Fizeste-o teu de tantas formas que hoje o sinto mais feliz só por te olhar. Sem saberes, cuidaste mais das suas tristezas do que eu algum dia quis cuidar e curas todos os seus males, dia após dia. Abraço a abraço. Minha Amora, meu doce. É exactamente isto aquilo que mais amo em ti.. esta força que tens e não anuncias…